quinta-feira, 9 de junho de 2011

Do Amor E do Matrimônio


Profeta de Deus em procura do infinito, quantas vezes sondaste as distâncias à espera de teu navio.
E agora teu navio chegou, e tu deves partir.
Profunda é tua nostalgia pela pátria de tuas recordações e a morada de teus maiores desejos; e nosso amor não te quererá prender, nem nossas necessidades te reterão. Uma coisa, porém, pedimos-te: antes de no a deixares, fala-nos e dá-nos algo de tua verdade. E nós a transmitiremos a nossos filhos, e eles a transmitirão aos seus filhos, e ela não perecerá.
Na tua soledade, vigiaste por nossos dias e, na tua vigília, escutaste os gemidos e os risos de nosso sono. Agora revela-nos a nós próprios, e conta-nos o que te foi revelado, do que existe entre o nascimento e a morte."
E ele respondeu:
"Povo de Orphalese, de que poderia falar-vos senão do que está agora se movendo dentro de vossas almas?"
Então Almitra disse: "Fala-nos do Amor."
E ele ergueu a fronte e olhou para a multidão; e um silêncio caiu sobre eles, e com uma voz forte, dirigiu-se a eles, dizendo:
"Quando o amor vos chamar, segui-o.
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados; E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe, Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos; E quando ele vos falar, acreditai nele, embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma por que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica.
E, da mesma forma por que ele contribui para vosso crescimento, ele trabalha para vossa poda.
E, da mesma forma por que ele sobe à vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol, assim também ele desce até vossas raízes e as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor a vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas. Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas o amor operará em vós, para que conheçais os segredos de vossos corações e, com esse conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor procurardes somente a paz e o gozo do amor, então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez e abandonásseis a eira do amor, para entrar no mundo sem estações, onde rireis, mas não todos os vossos risos, e chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui e não se deixa possuir.
Pois ele basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga: "Deus está no meu coração", mas que diga antes: "Eu estou no coração de Deus".
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor, pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo, senão o de atingir sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos, sejam estes vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir a ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor;
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia, e meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado, e nos lábios uma canção de bem-aventurança."

Então, Almitra falou novamente e disse: "E que nos dizes do Matrimônio, mestre?"
E ele respondeu, dizendo:
"Vós nascestes juntos, e juntos permanecereis para todo o sempre.
Juntos estareis quando as brancas asas da morte dissiparem vossos dias.
Sim, juntos estareis até na memória silenciosa de Deus.
Mas que haja espaços na vossa junção.
E que as asas do céu dancem entre vós.
Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão:
Que haja, antes, um mar ondulante entre as praias de vossas almas.
Enchei a taça um do outro, mas não bebais na mesma taça.
Dai do vosso pão um ao outro, mas não comais do mesmo pedaço.
Cantai e dançai juntos, e sede alegres; mas deixai cada um de vós estar sozinho.
Assim como as cordas da lira são isoladas e, no entanto, vibram na mesma harmonia.
Dai vossos corações, mas não os confieis à guarda um do outro. Pois somente a mão da Vida pode conter vossos corações.
E vivei juntos, mas não vos aconchegueis demasiadamente;
Pois as colunas do templo erguem-se separadamente;
E o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro."
Por Gibran Khalil Gibran (livro "O profeta")


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Loreena McKennitt - Never-Ending Road (Amhrán Duit)

The road now leads onward
As far as can be
Winding lanes
And hedgerows in threes
By purple mountains
And round every bend
All roads lead to you
There is no journey's end.

Here is my heart and I give it to you
Take me with you across this land
These are my dreams, so simple and few
Dreams we hold in the palm of our hands

Deep in the winter
Amidst falling snow
High in the air
Where the bells they all toll
And now all around me
I feel you still here
Such is the journey
No mystery to fear.

Here is my heart and I give it to you
Take me with you across this land
These are my dreams, so simple and few
Dreams we hold in the palm of our hands


The road now leads onward
And I know not where
I feel in my heart
That you will be there
Whenever a storm comes
Whatever our fears
The journey goes on
As your love ever nears

Here is my heart and I give it to you
Take me with you across this land
These are my dreams, so simple and few
Dreams we hold in the palm of our hands.

Acho que não exista uma música da Loreena da qual eu não goste. Todas , eu digo todas  fazem parte da minha vida. Dos bons e dos maus momentos, felizes e infelizes. É algo que não consigo explicar, quando sento para  escrever, é através das músicas que as palavras brotam na minha mente. Ultimamente ando tão atarefada, que mal consigo comer direito. Mas hoje, resolvi tirar  algumas horas para mim, e essa música veio a calhar esse meu momento. Lendo a letra da música, a gente pensa que é uma letra triste, ou uma lamentação, mas se você observar bem, sentir cada melodia, acorde, arranjo, verá que é uma declaração de amor. E toda declaração é bonita. E esta é a minha declaração de amor à você, meu querido. Ich hab dich lieb !


quarta-feira, 11 de maio de 2011

A Leitura e seus benefícios

Ler...
Ler sempre.
Ler muito.
Ler «quase tudo».


Ler com os olhos, os ouvidos, o tato, pelos poros e demais sentidos.
Ler com a razão e a sensibilidade.
Ler desejos, o tempo, o som do silêncio e do vento.
Ler imagens, paisagens, viagens.
Ler verdades e mentiras.
Ler o fracasso, o sucesso, o ilegível, o impensável, as entrelinhas.


Ler na escola, em casa, no campo, na estrada, em qualquer lugar.
Ler a vida e a morte.
Saber ser leitor, tendo o direito de saber ler.
Ler simplesmente ler.

Edith Chacon Theodoro

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sair de férias é maravilhoso, mas a volta .. xiiiiii!!!!

Desculpe-me pelo o Blogger estar tão desatualizado, mas quando o assunto são FÉRIAS, confesso que não consigo sentar e escrever. Fico a mil ..! Passagens, malas, roteiro, hospedagem e claro, quanto custará tudo isso. Essa pré e pós organização tomam meu o tempo, cabeça, corpo e alma. Desculpem-me !!!! Mas cheguei e estou cheias de idéias e histórias para compartilhar!!!! Aos poucos vou  atualiza-lo !!!!

:)

domingo, 13 de março de 2011

O Mundo é de Quem não Sente

A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade. 
A qualidade principal na prática da vida é aquela qualidade que conduz à ação, isto é, a vontade. 
Ora há duas coisas que estorvam a ação - a sensibilidade e o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com sensibilidade. 
Toda a ação é, por sua natureza, a projeção da personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e principal parte composto por entes humanos, segue que essa projeção da personalidade é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alheio, o estorvar, ferir e esmagar os outros, conforme o nosso modo de agir.
Para agir é, pois, preciso que nos não figuremos com facilidade as personalidades alheias, as suas dores e alegrias. Quem simpatiza pára. 
O homem de ação considera o mundo externo como composto exclusivamente de matéria inerte - ou inerte em si mesma, como uma pedra sobre que passa ou que afasta do caminho; ou inerte como um ente humano que, porque não lhe pôde resistir, tanto faz que fosse homem como pedra, pois, como à pedra, ou se afastou ou se passou por cima.

Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'

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Ultimamente tenho lido muito Fernando Pessoa, essa minha constante metamorfose é a responsável por esta  linda descoberta.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Integração e Acolhimento

Então, dando continuidade sobre o tema : Alemanha

Vou tentar escrever aqui de uma maneira simples e bem direta o que realmente acho/sinto e penso quando o assunto é INTEGRAÇÃO.

Na minha opinião, uma boa integração só começa realmente quando ambos interessados se ajudam, ou seja eu enquanto "migrante" estou disposta a aprender, conhecer e respeitar a cultura alheia, assim também deve agir o meu "Acolhedor", elaborando-criando-discutindo projetos, cursos, métodos e alternativas para as pessoas que por algum motivo especifico (trabalho,estudo,casamento) decidem-se migrar e começar muitas vezes do zero, uma nova vida ou um novo conceito de vida. Essas pessoas (eu), chegamos cheios de sonhos, desejos, projetos, ansiosas para conhecer pessoas e assim plantar uma sementinha de amizade, sentir-se "acolhida" à sua nova "Heimatland" . Mas nem sempre todas as expectativas  são correspondidas conforme o desejado-planejado-esperado. Aí, o bicho pega!!!

Novamente dando a minha opinião, nem sempre falar o idioma fluentemente garante que o processo de adaptação seja menos doloroso das  outras  pessoas que por algum motivo não chegarão AINDA  nesse      "nível" Além disso, o processo de adaptação não se resume apenas em : falar  ou não falar.

É muito mais abrangente, além do o idioma,  envolve comida,  roupas,  clima,  forma de ser, agir e pensar dos nossos novos vizinhos, colegas de trabalho, professores, religião, costumes, música, características físicas e biológicas. A fluência no idioma ajuda, mas ela por si só, não garante a tal sonhada e desejada integração.

Uma coisa é certa, integração exige diversidade, exige diálogo, exige carinho-respeito-amor,exige compromisso, exige convivencialidade, exige uma relação(casamento) com o outro, com o meio e principalmente consigo mesmo. De certa forma, pode se dizer que é um "contrato" onde ambas as partes devem cumprir os seus direitos e deveres. Se houver o não cumprimento, é mais do que natural que conflitos surjam e gerem um baita desconforto em ambas as parte.

Integração é uma luta interior, que automaticamente se estende para o exterior. É preciso que este exterior esteja preparado para este acolhimento. caso contrário, haverá uma rejeição, frustração, medo, isolamento, depressão, raiva, conflitos.  Viver e conhecer são mecanismo. Conhecemos porque somos seres vivos e isso é parte dessa condição. Conhecer é condição de vida na manutenção da interação ou acoplamentos integrativos com os outros indivíduos e com o meio, já dizia Maturana. Porque a integração só pode acontece quando o indivíduo e o seu meio conseguem interagir. Conseguem se comunicar, ensinando e aprendendo na mesma sintonia e freqüência. Sem esses " detalhes" a coisa não anda, não flui. 

Enquanto nós (migrantes) fingirmos que estamos adaptados, e o governo fingir que tem interesse em investir em projetos que viabilizem uma boa integração, surgirão muitos e muitos  Sarrazin's. Com seus livros cheios de rancor, racismo, anti-semitismo. Cheio de idéias mirabolantes e comparacöes absurdas!!!! 

Já passaram-se mais de 66 anos da segunda guerra mundial,  22 anos da queda do muro de Berlin e unificação das Alemanha's Ocidental e Oriental, ainda assim é possível sentir que nem todos os "muros" foram derrubados. Os que existem não são mais de tijolos, mas os invisíveis que causam o preconceito e dificultam o processo de adaptação e integração de muitos de nós, migrantes.

Enfim, nesse quesito a Alemanha ainda não conseguiu livrar-se dos fantasmas de um passado, em que eu espero sinceramente que jamais volte a acontecer. 









 


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO


Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada. 

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está. Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros. 

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade. É elegante o silêncio, diante de uma rejeição... Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. 

É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens... Abrir a porta para alguém é muito elegante... Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante... Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma... Oferecer ajuda... é muito elegante... Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante..
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. 
A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.

Adaptação de texto extraído do Livro: EDUCAÇÃO ENFERRUJA POR FALTA DE USO [pintor francês Henri TOULOUSE LAUTREC